Mulher mantida em cárcere por 23 anos passará por avaliação psicológica

A mulher de 63 anos, mantida em cárcere privado por um casal de Vinhedo (SP) por 23 anos, passará por avaliação psicológica, de acordo com a Prefeitura. O secretário de Assistência Social do município, Eduardo Galasso, informou que a intenção é diagnosticar qual é exatamente o estado mental de Iva da Silva Souza, que está em um abrigo municipal desde que foi resgatada da residência dos suspeitos.

Ecio Pilli Junior e Marina Okido estão presos desde a noite de segunda-feira (24). O casal é suspeito de manter a vítima trancada dentro de casa durante duas décadas e obrigá-la a cuidar de uma senhora de 88 anos, mãe de Marina, sem receber salário e em condição análoga à escravidão. A idosa também está no mesmo abrigo de Iva, já que as duas são muito apegadas uma a outra.

De acordo com o titular da pasta, Iva alterna o apego à vida que tinha antes, e a responsabilidade de cuidar da idosa de 88 anos, com a consciência de saber que foi resgatada de uma situação de cárcere.

"A gente entende que ela tinha sim uma responsabilidade com aquela idosa. A gente tem que libertar ela desse compromisso. Em contrapartida, a outra idosa a chama em todo momento. Por isso inclusive que nós colocamos as duas juntas, para não romper abruptamente esse vínculo", informou Galasso.

Foto em documento antigo mostra Iva da Silva Souza quando ainda vivia na região norte do Paraná — Foto: Reprodução

Violência psicológica

De acordo com a Polícia Civil, a idosa foi ouvida na quarta-feira (26) e pela primeira vez reconheceu a gravidade da situação que ela vivia. Segundo a delegada Denise Margarido, ela sofria de violência psicológica porque o casal dizia que ela não teria para onde ir e o que comer, entre outras coisas.

Segundo a investigação, ela se emocionou, chorou por três vezes e agradeceu aos policiais que a salvaram.

O começo

De acordo com a delegada de Vinhedo, Iva criou um forte vínculo com a mulher que cuidava, uma vez que trabalhava na família desde 1979. Na época, começou a trabalhar em uma residência em São Paulo. Depois a família ainda morou em Campinas, Valinhos e Vinhedo, e Iva recebia salários normalmente.

Segundo a Polícia Civil, Marina Okido teria assumido os controles financeiros da família depois da morte do patriarca, em 2005. A situação de cárcere de Iva, no entanto, teria começado antes e se arrastaria há 23 anos. A família da vítima, que é do Paraná, registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento em 1996.

A delegada informou que Iva, diante da pressão psicológica, "aceitava" a situação pois entendia haver uma dívida de gratidão com a mãe de Marina, e por isso nunca reagia. O vínculo é tão forte, conta Denise, que a idosa não abre mão de ver a mulher que cuidou por tantos anos.

Elcio Pires Junior e Marina Okido foram presos pela polícia de Vinhedo — Foto: Reprodução/EPTV

Estelionato

A história veio à tona após uma denúncia de estelionato contra o casal. Segundo a polícia, os suspeitos inclusive usavam uma conta no nome de Iva para aplicar golpes.

Outras vítimas do casal procuraram a Polícia Civil desde a descoberta do caso de Iva. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), há pelo menos três ocorrências de estelionato contra Marina Okido e Ecio Pilli Junior.

De acordo com a delegada, os suspeitos optaram por não falar nada em depoimento e informaram que iriam se manifestar apenas em juízo. Junior está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí (SP), e Marina na Cadeia de Itupeva (SP). Eles foram indiciados por tortura, cárcere privado e estelionato. 

Casa em Vinhedo onde mulher de 63 anos era mantida em cárcere privado. — Foto: Reprodução/EPTV

Fonte: G1

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